Quem é Beatriz Gallo Sacramento, a produtora executiva brasileira do último vídeo da cantora Iza

Quem é Beatriz Gallo Sacramento, a produtora executiva brasileira do último vídeo da cantora Iza
Quem é Beatriz Gallo Sacramento, a produtora executiva brasileira do último vídeo da cantora Iza

Poucas celebridades no mundo representam a modernidade e o espírito do nosso tempo como a IZA.

Isabela Cristina Correia de Lima não teve sucesso graças à ajuda de um manager ou de um caça-talentos: foram os vídeos produzidos por ela própria e publicados no seu canal de YouTube que chamaram a atenção do público e lhe garantiram imediatamente um sucesso esmagador, representado pelas mais de 12 milhões de visitas ao seu último single “Evapora”.

Mas o que poucas pessoas sabem é que, ligada ao “Evapora”, há outra história de sucesso, como a da IZA: a de uma jovem brasileira igualmente determinada, que desenvolveu sua carreira sem a ajuda de ninguém, apenas graças à sua garra.

A produtora executiva do vídeo “Evapora”, filmado em Los Angeles, no coração do star system americano, é Beatriz Gallo Sacramento (também conhecida como “Bia Gallo”), nascida em São Paulo e que se mudou para os Estados Unidos em 2013.

 “Desde que era criança, o meu sonho era contar histórias que tivessem o poder de mudar o mundo. Quando tive a oportunidade de trabalhar com a IZA, me senti muito feliz, porque além de a considerar cantora excelente, considero ela um ícone de representatividade no Brasil, um símbolo de valores que são fundamentais para mim.”

Como foi a sua trajetória  até você chegar a trabalhar nesse clipe com a IZA?

“O caminho não foi linear. Na verdade, poderia ser resumido pela frase ” não tente essa receita em casa!”

Aos 18 anos, depois de terminar o meu diploma no Teatro Célia Helena em São Paulo como atriz, tive a oportunidade de me mudar para a Alemanha para trabalhar. e essa experiência mudou a minha vida porque me fez entender como no século XXI somos todos cidadãos do mundo. Na Europa, comecei a trabalhar no setor de produção e quando voltei ao Brasil, me formei em cinema em São Paulo. Nesse momento, percebi que tinha de me mudar para os Estados Unidos.”

Porquê?

“Eu sempre sonhei alto. Eu acredito que cada pessoa tem um propósito. Na tentativa de alcançar  esse objetivo ambicioso e talvez um pouco surreal, eu ganhei uma bolsa para estudar atuação na New York Film Academy em Nova York e foi então que me mudei para a Big Apple.”

Como foi sua ida para Nova York?

“Seja lá o que for que você faça na vida, em Nova York você vai encontrar alguém que faz exatamente isso, mas melhor, por que todo mundo do mundo vai para lá. Se inserir no mercado é difícil. Felizmente, eu sou uma pessoa que não se assusta com dificuldades e acabei conhecendo pessoas que me apoiaram. Me formei como atriz na New York Film Academy e, graças à escola, tive a oportunidade de refinar a minha técnica atuando em mais de 70 curtas-metragens. Também tive um papel importante em “Frankie” do diretor milanês Francesco Francio Mazza, que apesar de ser um “filme de estudante”, foi nomeado para um prémio tipo Oscar da Academia em Itália.”

Por que depois de se formar como atriz, você se interessou por produção?

Desde criança sou extremamente curiosa. Depois, pelo fato de que a longo prazo o meu objetivo era criar histórias que pudessem deixar uma marca, eu queria ter controlo total de cada etapa.

Precisamente por causa de uma proposta de trabalho como produtora, eu me mudei para Los Angeles em 2017.

Qual é a diferença entre Nova York e Los Angeles?

Los Angeles é uma cidade que gira completamente em torno do setor audiovisual. É meio que a meca da indústria, claro sem querer dizer que não existe talento em outros lugares porque é óbvio que sim (especialmente no Brasil), mas lá é uma indústria mesmo, sabe? Lá estão os nomes mais importantes, os maiores orçamentos e os maiores egos também.

Nova York oferece uma experiência de aprendizagem diferente e me ajudou a me adaptar à mentalidade americana, mas Los Angeles tem um setor bastante tradicional e desenvolvido há muito mais tempo, e eu queria aprender diretamente da “fonte”.

Como aconteceu o contato com a produção do vídeo “Evapora”?

Foi por coincidência, durante uma conversa entre amigos meu nome foi recomendado por causa de alguns dos meus trabalhos anteriores com a Manu Berlanga e então entrei em uma competição com outras empresas americanas muito maiores do que a minha, mas felizmente, o meu conhecimento da indústria brasileira e americana fez com que a minha proposta fosse classificada como a melhor e ganhei a competição com a minha produtora MusenV. Pude trabalhar com pessoas fantásticas, com quem gostaria de trabalhar de novo:  as meninas da Rádio Pluma, minha fiel escudeira Carolina Bradilli, o pessoal da Warner Music.. enfim, olhem a ficha técnica do clipe. Mas principalmente a Iza. Que pessoa irada!

Que recordações você tem do set?

Uma produção deste tipo apresenta muitos desafios, mas a minha equipe foi realmente incrível e me deu o suporte que eu precisava para fazermos um trabalho incrível com grandes nomes da indústria da música.

No entanto, além das dificuldades, esse trabalho foi uma experiência inesquecível que me ensinou muito e também me fez descobrir que a IZA é uma pessoa exceptional, tanto como profissional como também do ponto de vista humano. Espero, no futuro, ter a oportunidade de trabalhar com ela novamente, pois como disse antes, ela representa os valores de diversidade e multiculturalismo no Brasil, além de ser uma pessoa humilde, respeitosa e dedicada.

Que conselho daria a uma mulher brasileira que quer se mudar para os Estados Unidos para desenvolver uma carreira como a sua?

Cara! Que seja consciente e entenda que o sucesso não surge imediatamente. É um processo muito longo que requer muitos sacrifícios. Acho legal ver todas as dificuldades como uma maneira de aprender mais, como se você estivesse sendo paga pra ir pra escola de cinema. Sabe? Dá pra aprender algo em tudo, mas as experiências mais difíceis são as que mais te estruturam. Dificuldades sempre terão, então é importante ter um suporte emocional fora do trabalho e também alguém (pode ser outra ou múltiplas pessoas) que possa agir como um tutor na parte de profissional. A gente nunca sabe tudo! Outra coisa muito importante é ter ética, a dedicação, o respeito pelos outros e a paixão. Isso são coisas fundamentais.

Quais são os seus planos para o futuro? 

Como atriz, colaboro na Itália com a websérie “Gli Estremi Rimedi”, uma das mais seguidas na Europa. Tenho também outros projetos sobre os quais poderei falar em breve.

Como produtora executiva, tenho vários projetos em desenvolvimento contando com filmes, uma plataforma para os profissionais de cinema brasileiros. Depois volto ao Brasil para passar o Natal com minha família: não vou a casa há dois anos, estou morrendo de saudades!