Netflix | Diretor comenta ideia por trás de ‘O Poço’ filme popular na plataforma

Netflix | Diretor comenta ideia por trás de 'O Poço' filme popular na plataforma
Netflix | Diretor comenta ideia por trás de 'O Poço' filme popular na plataforma

Lançado há poucos dias na plataforma da Netflix, o filme “O Poço” tem surpreendido os seus espectadores e provocado reações adversas inclusive de famosos. Anitta, por exemplo, pediu explicações para o final do filme, que tem dividido opiniões na ‘internet’.

O filme espanhol, classificado como de ‘suspense’ e terror, é o primeiro entre os Top 10 mais populares entre os brasileiros na Netflix, neste momento. O longa se passa inteiramente em uma grande prisão onde os presos estão divididos por “níveis” de um prédio e são alimentados através de uma plataforma, que desce gradualmente por eles. Desta forma, os presos dos níveis superiores podem comer mais, enquanto os dos níveis mais baixos testam a sua sanidade ao passar fome.

Em entrevista ao site iHorror, o diretor Galder Gaztelu-Urruti explicou que o roteiro foi originalmente escrito para ser uma peça teatral, que acabou nunca sendo feita. Para ele, o filme fala sobre as diferentes classes sociais, e não necessariamente sobre “mudar o mundo”. Ele afirma que a produção não tem a pretensão de ensinar nada, mas sim de fazer com que os espectadores pensem em como se comportariam, a depender do nível em que estivessem.

“O local onde você nasceu é importante-em que país e em qual família–, mas somos todos muito parecidos. Dependendo de onde estiver, vai pensar e se comportar de uma maneira diferente. O filme coloca o espectador nessa situação para enfrentar os limites da sua própria solidariedade. É fácil ter solidariedade se está no nível 6; se tem muito, pode desistir de parte disso. Mas terá solidariedade se não tiver o suficiente para si mesmo? Essa é a questão”, diz ele.

Ao site Cineuropa, ele completa o pensamento: “Num determinado momento, a humanidade terá que avançar em direção à distribuição justa da riqueza […] Devemos insistir para que os nossos líderes assumam a responsabilidade, mas eles não devem estar sozinhos nisso; se usarmos eles como desculpa para não fazermos nada, nada mudará. Não há ataque direto a ninguém: o filme não se posiciona contra aqueles dos níveis superiores; […] o filme critica o capitalismo, mas também o sistema socialista”.

Em outra entrevista, ao site Collider, Gaztelu-Urruti diz que não se trata de uma crítica social, mas de uma “autocrítica social”. Inspirado em filmes como “Delicatessen”, “Blade Runner”, “Cubo” e “Próximo Piso”, ele conta que o protagonista Iván Massagué (de “O Labirinto do Fauno”) precisou perder 12 kg durante as seis semanas de filmagem, para dar credibilidade ao comprometimento corporal e psicológico de Goreng.

Ele também analisa os cenários do filme, criados dentro de um pavilhão pertencente à Cruz Vermelha, no porto do município espanhol de Bilbao: “Esteticamente, a cozinha é representada por cores e máquinas alegres que parecem brinquedos, mas as performances-sem diálogos-e o tom da música nos dizem que algo não está certo na consciência das pessoas de cima”.