Carlos Vereza é bom de ‘Trampo’

Carlos Vereza no filme “O Trampo” (Foto: Divulgação)

BRita BRazil

Meu amigo Carlos Vereza acaba de ganhar o prêmio de melhor trilha sonora com seu flme “O TRAMPO” no Madrid Internacional Film Festival, na Espanha, no qual fez o roteiro, diálogos, atuou, dirigiu e fez a trilha.  Aqui o que escrevi quando assisti em 26 de março de 2019. Parabéns Vereza!

O TRAMPO

Embora, o verão permaneça neste outono, ao sentar-me para escrever (porque quero) sobre o que vi ontem, o filme O TRAMPO, de Carlos Vereza, sinto calafrios e ainda nem sei por quê.

Por estar envolvida com a câmera desde a adolescência, não frequento muitos filmes. Por tanto observar a vida e a tela, sou crítica tipo chata. Cinema por cinema, nem pensar. Acho que tem excessos, desnecessidades, e algumas atrocidades para a sociedade.

Mas, fui ao TRAMPO. A sala lotou, a luz se apagou, e do primeiro segundo fui capturada pela câmera do Boca, pelo som, imagens, cortes, tudo era, apenas era, como deveria ser. Percebi que acontecia algo de sério, uma personalidade forte por trás desse feito.

Foto: Divulgação

Tudo interessante, o semblante da atriz, a câmera, a câmera, a câmera… A cidade do Rio de Janeiro, a Barra virou Hollywood através do Boca. Me perco entre a técnica e a sensibilidade, já não sei mais do que estou falando.

A direção de Carlos Vereza, informa o necessário que gosto, que preciso. Tem delicadeza na morte, tem armadilhas nos sentimentos, tem surpresas nas falas. Ele não falha. Ele não sobra. Ele? Mas quem “ele”? O roteirista, o ator, o diretor, o arranjador musical, de quem estou falando? Já não sei. Serão Carlos Verezas?

Ele nos fornece detalhes simples e sutis que ampliam nossa visão. Ele, gentilmente, compartilha sua genialidade, agora dividida em Verezas, engrandecendo o cinema brasileiro que deveria assisti-lo, com urgência. Levar este filme O TRAMPO, às faculdades e cursos de cinema, obrigação.

Chegamos no quarto. O carro nos leva ao quarto. E ali acontece o drama social que nunca havíamos pensado. Deve haver milhares de cenas como essas, pelo Brasil, mas nunca chegaram a nós. Tudo é humanidade. A interpretação dos dois atores nos paralisa. Carlos Leon Vereza Góes, se tornam um só. Emoção.

Vereza é um poeta armado. Sua direção é impecável. Luz, cenário, figurino, edição tudo, perfeição. Não sei se falo da mente, ou do coração.

Carlos Vereza e BRita BRazil

Rosa Maria, arrancou aplausos no seu “cabaré interior”. Vereza e Leon Góes arrancaram da plateia gargalhadas, em pleno desespero. A câmera, a câmera, a câmera… A edição de Raoni cria impactos inesperados. Nada foi poupado por todos da equipe. Quem tira isso, geralmente, é o diretor. Mas, parabenizo, individualmente, cada um, por não terem deixado nada em casa. Vocês estão absolutamente inteiros, nesse bom resgate do cinema brasileiro. O TRAMPO já é premiado.

BRita BRazil.é atriz e escritora. Atualmente trabalha o lançamento do terceiro livro, “Poesia Concisa”