Atentos ao mercado empresários mudam sua produção para máscaras de proteção

O Ministério da Saúde orientou e a população começa a usar máscaras caseiras.

Por causa da escassez dos modelos de proteção individual, que estão sendo destinadas aos profissionais de saúde, pequenos empresários se mobilizaram para fazer máscaras de pano.

Após o comunicado oficial do ex-Ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta, sobre máscaras de pano servirem como uma barreira eficiente contra o coronavírus, a produção delas se tornou um bom negócio para pequenas empresas de confecções.

Mandetta defendeu o uso do material ou de qualquer barreira de pano, como lenços, para evitar o contágio nas ruas e transporte público. Para ele, a facilidade em produzir as máscaras caseiras são uma aliada na tentativa de conter a covid-19.

“Qualquer pessoa pode fazer sua máscara de pano e utilizar, que vai estar ajudando o sistema de saúde”, garantiu o ministro em entrevista coletiva na quarta-feira (1º), ressaltando que o baixo custo para a confecção dos acessórios.

De acordo com o Ministério da Saúde, para ser eficiente como uma barreira física e impedir a propagação do novo coronavírus, a máscara caseira precisa ter pelo menos duas camadas de pano, ou seja, dupla face. Além disso, a pasta destaca que o equipamento de proteção é individual e não pode ser compartilhado.

Durante 11 anos, Paula Cristina Fernandes Marins complementou as contas de casa com o dinheiro que ganhou com a venda de bonecas de pano e enxovais para bebê. Até que veio a crise do coronavírus e parou tudo.

A demanda despencou e o estoque ficou lotado de tecidos sem aplicação. Atenta ao mercado, em dois dias, Paula mudou toda a produção e passou a fazer máscaras de proteção.

Mesmo trabalhando dia e noite, não consegue atender a todos os pedidos. “Eu venderia mais se conseguisse produzir mais. Hoje, se entrar pedido demoro três dias pra entregar”, afirma.

Paula costura 250 máscaras por dia. Depois de prontas, ela passa cada peça, embala e entrega por correio, Uber e até o marido dela ajuda. O preço de uma máscara varia de R$ 8 a R$ 13, dependendo da quantidade encomendada, e algumas delas são destinadas para doação.

Robson Sanchez também engrossa esse time de empresários que estão fazendo máscaras. Ele tem uma estamparia social que dá cursos em albergues para capacitar pessoas que saíram do sistema prisional. Agora, está fazendo máscaras com o tecido de camisetas que uma empresa encomendou e acabou não pagando.

Depois de prontas, as peças são higienizadas, vendidas no site e doadas. “Já vendemos mil e doamos 1500 para unidades prisionais e centros de acolhimento de moradores de rua”, conta Robson.